- Como você
define a sua evolução na tevê?
"Posso reiterar que volto para fazer o que quero. Sou um homem, de
certa forma, financeiramente independente. Quero dizer, no caso, que
não dependo da máquina da televisão. Não voltei antes justamente
porque as ofertas que recebi não mais tinham sentido na medida em que
eu havia amadurecido para um novo passo."
- Como é o homem J. Silvestre fora da televisão?
"O de sempre, ligado à família, que absolutamente não é
envolvida no jogo do profissional. Todos sabem que jamais permiti esse
envolvimento, mesmo quando companheiros da imprensa, do rádio e da
televisão solicitaram uma participação deste tipo. Digo que em geral
sou o mesmo, depois de três anos e meio porque não se alteraram,
basicamente, as minhas concepções do mundo. Pretendo ser um indivíduo
ligado as minhas concepções humanistas, que tenha sensibilidade, e
também descubra o humano que é a essência em todos os semelhantes.
Isto é bastante lírico, mas eu admito o meu lirismo. E acredito que,
como expressão do sentimento individual, ele não pode morrer jamais."
- Como você encara o veículo televisão?
"Na minha opinião, toda televisão deve ser educativa. Segundo
minha observação, é o que acontece nos Estados Unidos. Pelo menos
dentro daquilo que tive oportunidade de acompanhar nos canais americanos,
em vários estados, esse objetivo é alcançado. Os grandes programas --
é evidente que eu falo num sentido geral, admitindo exceções --
passam as informações de modo a que o receptor aprenda conceitos
educacionais. Há geração de consciência crítica. Se assim me
manifesto, é para responder à pergunta a propósito do veículo, isto
é, creio que ele é, fundamentalmente, um transmissor de informações
que, divertindo, dedicado ao entretenimento, deve ser disposto como um
instrumento educacional na sua essência. É claro que há muitos
conflitos, especialmente quando se tem em mira a televisão comercial.
Mas a própria concessão dos canais de televisão, pelo poder público,
é uma advertência no sentido de que o veículo deve ser usado em favor
da sociedade, como uma complementação cultural." ...
-Esquecido, então o absolutamente certo, como bordão de J.
Silvestre?
""Criam-se, simplesmente, novos bordões. E aí mesmo está um
deles: a palavra simplesmente. Se alguém do povo quer
perguntar, simplesmente pergunta. Aí está um programa, uma
concepção. Inquirir, simplesmente; divertir, simplesmente; ouvir,
simplesmente; ver, simplesmente. E assim simplesmente informar; e muito
mais importante que um bordão, simplesmente acreditar que se tem vez e
hora na tevê brasileira para falar da nossa gente, das nossas coisas,
do nosso país, com dignidade." |